quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Destruição do Templo ou Grande Tribulação?

Ariercílio Silva Albergaria pergunta:

Prezado pastor Ciro, tenho acompanhado os seus comentários no Blog do Ciro há algum tempo e tenho aprendido muito. Fico muito feliz por sua defesa aos princípios da Santa Palavra de Deus e combate aos modismos e heresias. Que Deus o abençoe grandemente.

O texto de Mateus 24.15-22 se refere à destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C., ou à Grande Tribulação, quando os judeus fugirão do Anticristo? Sei que o texto de Lucas 21.20-24 fala da destruição do Templo e de Jerusalém pelos romanos. Quanto ao texto de Mateus, estou em dúvida.

Pastor Ciro responde:

Prezado Ariercílio, a paz do Senhor!

Agradeço-lhe por apreciar os artigos do Blog do Ciro. Quanto à sua pergunta, é preciso observar que as palavras de Jesus em Mateus 24 respondem a uma tríplice pergunta: “quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (v.3).

A pergunta “quando serão essas coisas?” foi motivada pela profecia de Jesus acerca da destruição do Templo e de Jerusalém, no ano 70 d.C., constante do versículo anterior: “Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada” (v.2).
Mas, além de perguntarem acerca da destruição do Templo, os discípulos questionaram o Senhor acerca dos sinais de sua Segunda Vinda e do fim do mundo.

Observar que o Senhor respondeu a uma pergunta tripartida, portanto, é a chave para a interpretação de Mateus 24 e Lucas 21. A partir daí, é preciso estar atento ao texto, a fim de saber a qual dos eventos Ele se refere.
Mateus 24.14, por exemplo, diz respeito à terceira faceta da pergunta: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim”. Observe: “então virá o fim”. Muitos hermeneutas, por ignorarem o fato de os discípulos terem feito ao Mestre uma tríplice pergunta, dizem que a Segunda Vinda só ocorrerá depois da evangelização mundial. Ora, essa evangelização em massa só ocorrerá mesmo por ocasião do Milênio, que precederá o fim do mundo.

Mateus 24.15-22 é de difícil interpretação, mas fica claro que o Senhor Jesus se refere à Grande Tribulação, posto que o contexto imediato da passagem alude à Vinda do Senhor em poder e grande glória: “Porque, assim como o relâmpago que sai do oriente e se mostra ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem” (v.27).

Não há dúvidas de que, por ocasião da destruição de Jerusalém, no ano 70, houve também aflição. Mas a aflição mencionada no versículo 21 é descrita como a “grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais”. Essa descrição, atrelada à informação a respeito da Revelação do Senhor em poder e grande glória, deixa claro que a passagem em apreço refere-se mesmo à Grande Tribulação.

Para saber mais sobre o assunto, leia a obra Teologia Sistemática Pentecostal, editada pela CPAD, da qual tive a honra de participar escrevendo a unidade Escatologia.

Em Cristo,

CSZ

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Há consciência após a morte? O cristão peca ou não peca?

Fabrício da Silva pergunta:

A paz do Senhor, Pr. Ciro! Li o seu livro Erros que o Pregadores Devem Evitar e fui muito abençoado com os conhecimentos adquiridos. Gostaria que o senhor esclarecesse alguns pontos, pois fiquei em dúvida. 1) A passagem de Eclesiastes 9.5 fala sobre a consciência após a morte. Como o senhor explica o episódio envolvendo rico e Lázaro (Lc 16.19-31)? 2) Em 1 João 3.9 está escrito que o nascido de Deus não comete pecado. Porém, em 1 João 1.8-10, a Palavra diz que, se dissermos que não temos pecado, somos mentirosos. Como o senhor diferencia essas passagens?

Desde já agradeço a sua atenção. Que Deus abençoe o seu ministério.


Pastor Ciro responde:

Caro irmão Fabrício, a paz do Senhor. Agradeço-lhe pelas palavras de incentivo e pela menção honrosa ao meu livro.

O livro de Eclesiastes se propõe a abordar a vida humana na terra do ponto de vista natural. Daí o autor usar sempre as expressões “debaixo do sol” e “debaixo do céu” (1.3; 3.1; 9.6, etc.). No capítulo 9, ele se refere exclusivamente à vida na terra. E, como se ressalta nos versículos 5 e 6, quando o ser humano morre, todos os sentimentos atrelados a essa vida desaparecem. Mas isso não quer dizer que a parte espiritual (o “homem interior” [2 Co 4.16]) seja aniquilada.

No próprio livro de Eclesiastes se distingue a vida humana da vida eterna, enfatizando-se que a morte é a separação entre a parte material (corpo) e a parte espiritual (formada por alma e espírito), como lemos em 12.7: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. Isso significa que o corpo fica na terra, e a parte espiritual fica sob o controle de Deus (Mt 10.28).

Em Lucas 16.19-31 e em outras passagens vemos que a alma da pessoa, depois de sua morte, não morre nem dorme, como dizem os defensores da falaciosa doutrina do sono da alma. O texto de Eclesiastes 9.5 faz menção, nesse caso, das coisas desta vida. Mas, em sentido amplo, após a morte, não se perde a consciência, como se depreende também da leitura de Apocalipse 6.9,10.

Quanto à sua dúvida relacionada com 1 João 3.9, a ideia contida no texto original, a qual é respaldada pelos contextos imediato e remoto, é de que a pessoa renascida, que experimentou o novo nascimento (Jo 3.3), não vive na prática do pecado (Rm 8.1-9). Ou seja, ela não se inclina, como antes, às coisas da carne, pois é nova criatura (2 Co 5.17).

O pecador que não conhece a Cristo peca naturalmente. Mas o salvo resiste ao pecado (Hb 12.4). Ele é capacitado pelo Espírito a vencer as obras da carne (Gl 5.16-22). Mas isso não quer dizer que, depois de renascido, não tenha mais o pecado original, herdado de Adão (Rm 5.12), nem que esteja livre de cometer pecados.

Em resumo, temos pecado (o original), como está escrito em 1 João 1.8, podemos praticar pecados (se não vigiarmos), mas não é comum um servo de Deus viver na prática do pecado. Por isso, está escrito que ele não peca, isto é, não vive pecando. Se pecarmos, devemos confessar os nossos pecados a Deus (1 Jo 1.9,10), pois temos um Advogado, Jesus Cristo, o Justo (2.1,2).

CSZ

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Deus habita no meio do louvor?

Ricardo da Silva Machado pergunta:

Pr. Ciro, a paz do Senhor Jesus! A frase “Deus habita no meio do louvor” é um versículo bíblico ou se trata de um clichê?

Pastor Ciro Responde:

Caro irmão Ricardo, a paz do Senhor!

A frase em questão está baseada em Salmos 22.3: “tu és Santo, o que habitas entre os louvores de Israel”. Deste versículo depreende-se que o Senhor habita no meio dos louvores. Mas observe que Ele habita entre os louvores, e não no meio dos cantores! Vemos hoje muita cantoria, acompanhada de danças, e pouco ou quase nenhum louvor, como ocorria nos dias de Isaías e Amós (Is 29.13; Am 5.23).

Que verdadeiramente cantemos louvores, provenientes de um coração preparado (Sl 57.7; 108.1), a fim de que o Senhor habite entre nós.

CSZ